Turismo, cerveja e apostas: quem deve ganhar com a Copa de 2026, que pode movimentar R$ 200 bilhões

Turismo, cerveja e apostas: quem deve ganhar com a Copa de 2026, que pode movimentar R$ 200 bilhões
Com 48 seleções e partidas disputadas nos Estados Unidos, Canadá e México, o torneio mundial deve impulsionar o consumo e gerar impactos econômicos em diversos setores.
A Copa do Mundo de 2026 deve injetar bilhões de dólares nas economias dos países-sede, impulsionada por um forte aumento do consumo que poderá beneficiar setores que vão do turismo ao varejo e à indústria de artigos esportivos, segundo analistas.

Marcado para ocorrer entre11 de junho e 19 de julho, o torneio será o maior da história e poderá estimular os gastos dos consumidores em um momento em que a demanda global ainda mostra sinais de fragilidade.

A primeira Copa do Mundo realizada em três países — Estados Unidos, Canadá e México — deverá acrescentar cerca deUS$ 41 bilhões(cerca de R$ 212 bilhões)ao Produto Interno Bruto (PIB) global, segundo um estudo de impacto socioeconômico da Fifa realizado em parceria com a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Operadoras de hotéis

A consultoria B. Riley estima quea Copa do Mundo atrairá 13,1 milhões de visitantes, incluindo pessoas com e sem ingressos para os jogos. O fluxo de turistas deverá resultar em cerca de21,3 milhões de diárias reservadaspor meio de plataformas de viagem.

Analistas avaliam que redes hoteleiras como Marriott, Hilton e Hyatt, além de plataformas de hospedagem e viagens como Airbnb, Booking e Expedia, estão entre as empresas que podem se beneficiar do torneio.

A Marriott acredita que o impulso gerado pela Copa poderá se estender ao terceiro trimestre.

Já o Airbnb projeta que anfitriões das regiões de Nova York-Nova Jersey, Boston e Los Angeles estejam entre os que mais deverão lucrar durante o evento.

O Goldman Sachs avalia que a Copa do Mundo tende a ter um impacto positivo para as companhias aéreas americanas.

Segundo o banco, junho costuma registrar menor fluxo de viagens corporativas e de lazer para os Estados Unidos, o que pode abrir espaço para que o aumento da demanda provocado pela Copa impulsione o setor.

A corretora Jefferies estima que mais de1 bilhão de copos de cervejasejam consumidos globalmente durante o período da Copa, o que poderá elevar em 0,3% o volume vendido pela indústria.

Os principais ganhos são esperados em mercados comoEstados Unidos, México, Brasil e China.

"Depois de cinco anos consecutivos de volatilidade, o mercado de cerveja deverá apresentar um desempenho melhor em 2026", afirmaram os analistas da Jefferies.

Os analistas destacam ainda que cerca de 75% das partidas serão disputadas nos Estados Unidos e que 84% dos jogos das seleções participantes ocorrerão em fusos horários favoráveis ao consumo de cerveja.

Bernstein, Goldman Sachs e Jefferies apontam a Anheuser-Busch InBev, fabricante da Corona e patrocinadora oficial da Copa, como uma das principais beneficiadas. A Heineken também deve registrar ganhos, impulsionada por sua forte presença na América Latina e na Europa.

Varejo e artigos esportivos

O Goldman Sachs prevê um aumento na procura por produtos oficiais e itens ligados ao torneio, o que pode favorecer redes varejistas especializadas em artigos esportivos.

Marcas esportivas como Adidas, Puma e Nike também devem se beneficiar da maior visibilidade global e das ações de marketing associadas ao Mundial.

Segundo o Goldman Sachs, a Adidas pode obter ganhos adicionais por ser patrocinadora oficial da bola da competição e fornecer uniformes para diversas seleções participantes.

Alimentação, restaurantes e delivery

O Citi avalia que supermercados tradicionais, além de grandes varejistas, podem registrar aumento das vendas em razão do maior consumo das famílias durante o torneio.

A demanda por restaurantes também deve crescer, impulsionada pelo turismo e pelas reuniões de grupos para assistir aos jogos. Redes de alimentação, pizzarias e distribuidoras de alimentos estão entre as empresas que podem se beneficiar desse movimento.

Mídia e plataformas digitais

Analistas do Deutsche Bank estimam que a Copa de 2026 gere a maior receita publicitária da história do torneio nos Estados Unidos.

Segundo o Morgan Stanley, a competição pode gerar entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões em receitas publicitárias para a Fox, detentora dos direitos de transmissão em inglês.

Já o Deutsche Bank aponta a Telemundo, responsável pelas transmissões em espanhol, como outra beneficiada.

Plataformas digitais como YouTube e Instagram também podem registrar aumento de audiência e engajamento durante o evento, segundo o Citi.

O Deutsche Bank acredita que empresas de apostas esportivas online tendem a apresentar desempenho acima da média durante a Copa, impulsionadas pelo aumento do volume de apostas.

O banco Macquarie estima que o volume global de apostas ultrapasseUS$ 50 bilhõesdurante o torneio, o equivalente a quase US$ 500 milhões por partida.Na edição de 2022, o total superou US$ 35 bilhões.